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Marcha Mundial pela Paz e Não-violência

Mundo Sem Guerras

Palavras de Tomás Hirsch, portavoz do humanismo em América Latina, no ato de finalização da Marcha Mundial pela Paz e a Não violência em 02/01/2010

Queridas amigas e amigos,


A Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência que termina hoje começou neste lugar há pouco mais de um ano, no dia 15 de novembro de 2008. Aqui começou e aqui termina. Durante esse ano, foram realizadas milhares de atividades em diversos pontos do planeta.


Essa Marcha foi um sinal pela Paz e pela Não-Violência em um mundo violento que vive tempos de tormenta. É verdade que em sua passagem não se fecharam fábricas de armas, as bombas continuam ameaçando a vida no mundo inteiro e esse sistema cruel e desumano continua vigente. Sejamos claros: a situação atual nos horroriza, mas não se pretendia com a Marcha mudar o estado atual das coisas nem organizar nada… Mas algo mudou. Deu-se um sinal e vai se criando consciência. O tempo dirá se foi um sinal fraco ou poderoso, mas o que sabemos e não duvidamos é que foi o sinal correto, necessário, urgente e valente.


E, para ser historicamente preciso, durante esse percurso, na realidade o que foi proposto vem sendo dito desde a origem do Movimento Humanista: a Paz e a Não-Violência sempre foram temas de preocupação central para nós.


Tive a oportunidade de marchar e ver o contraste do mundo de hoje: vi com dor, com horror, um muro violento que separa os Estados Unidos da América Latina, cruzando Tijuana e acolhendo os sinais que lembram os 5 mil desesperados que morreram na tentativa de cruzá-lo.

Mas vi também os povos maias e quechuas madrugarem para receber com suas bençãos os caminhantes. Vi à meia noite, em Esquipulas, como ergueram um monumento à Paz e à Não-Violência, con 22 pares de pernas de crianças, de homens e mulheres, destruindo e desmantelando pistolas e rifles com sua vontade de paz. Vi muita gente boa que sonha com um mundo melhor. E a marcha das melhores aspirações humanas que construirão o mundo do futuro.


Nesta mesma paisagem inspiradora, há 40 anos, Silo comecou a nos entregar seus ensinamentos para superar a dor e o sofrimento em nós e em nossos povos. Guiados por suas palavras, desenvolvemos o Movimento Humanista.


Mas o Movimento Humanista também experimentou a crise do momento atual e necessita se renovar para ser uma ferramenta útil para as grandes transformações que vivemos.


Faremos isso a partir de amanhã.


Demos o sinal. Agora é o momento de dar continuidade e crescimento. E isso requere organização – uma palavrinha antipática, que não nos agrada muito, mas se queremos continuidade, necessitamos crescer, e se queremos crescer necessitaremos nos organizar. Organizamo-nos, porque senão, tudo se dilui e terminada em nada. Necessitaremos estruturas flexíveis, que possam se adaptar rapidamente a um mundo muito mutante.


A partir de amanhã, começamos entre todos os que estamos aqui, junto com os amigos que continuam esses diálogos nos diversos Parques de Estudo e Reflexão, os encontros e intercâmbios para impulsionar os 5 organismos do Movimento Humanista.


A Comunidade (para o desenvolvimento humano) que estuda, desenvolve e difunde a instalação de uma nova cultura baseada na não-violência e que será o correlato de uma configuração de consciência avançada na qual todo tipo de violência provoque repugnância.


O Partido Humanista dedicado a modificar as estruturas políticas para alcançar uma verdadeira democracia, destacando a violência econômica, especialmente a que se deve à concentração do capital financiero especulador, como causa do sofrimento dos povos e apontando a estabelecer uma relação justa entre o Capital e o Trabalho.


A Convergêcia das Culturas que busca o diálogo entre a diversidade das culturas e o encontro entre elas em seus momentos de maior grandeza, quando conseguem respeitar o ser humano sobre qualquer outra verdade.


O Centro Mundial de Estudos Humanistas que promove o desenvolvimento de um pensamento relacional e um método estrutural no campo das ciências, buscando o bom conhecimento para que a ciência esteja em prol do ser humano e nunca para sua destruição.


O Mundo sem Guerras e sem Violência que é a organização que coordenou a Marcha Mundial e nos trouxe até aqui, e continuará com sua ação até eliminar as guerras e a violência da face da Terra.


Esses 5 organismos são o meio e o modo que dispomos para levar ao mundo nosso projeto humanizador. E aqueles que coloquem em marcha e atuem em cada organismo são os que decidirão o modo de atuar.


Aproveitemos esses dias de encontro com amigos provenientes de diversas latitudes para perguntarmo- nos que tipos de organismos queremos, como será o espírito que os animará, o que projetaremos com eles para o mundo e qual é o melhor modo de impulsioná-los em cada lugar onde nos encontremos.


Amigos, a tarde está chegando ao fim e este lugar tão inspirador que nos acolhe nos presenteia com toda sua beleza. Vamos. Vamos nos encontrar com cada um que queira ajudar nesta maravilhosa tarefa de Humanizar a Terra. E logo, em poucos dias mais, voltaremos a nossos lugares com a fronte e as mãos luminosas.


Compartilho com cada um o desejo de Paz, Força e Alegria.

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Igricz Jánosné Comentário de Igricz Jánosné em 21 fevereiro 2010 às 10:08

graça grauna Comentário de graça grauna em 4 fevereiro 2010 às 14:50
Aos organizadores da Marcha desejo que as bençãos dos povos indígenas sejam uma constante entre os caminhantes pela paz e não-violência. Parabens. A luta continua.
Lucimar Rodrigues de Souza Comentário de Lucimar Rodrigues de Souza em 3 fevereiro 2010 às 14:31
Oi, gostaria de saber se houve alguma participação sua ou de alguém da marcha no Fórum Social Mundial, que foi aqui em Porto Alegre no final do mÊS passado. Aguardo retorno. Obrigada

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